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Como é o Oktoberfest de verdade (além do estereótipo)

Como é o Oktoberfest de verdade
DeutschBloom · Cultura e curiosidades da Alemanha

Se você perguntar pra alguém no Brasil o que é a Oktoberfest, a resposta vai ser quase sempre a mesma: um monte de gente de lederhosen bebendo cerveja de caneca gigante. Não está errado — só está incompleto. A festa que a Alemanha leva mais a sério do que qualquer estereótipo estrangeiro tem uma lógica, uma história e um jeito de funcionar que quase nunca aparece nas fotos de Instagram.

Não é em outubro (a maior parte dela)

Primeira surpresa: a Oktoberfest original, a de Munique, acontece majoritariamente em setembro. Ela começa no sábado mais próximo do dia 15 de setembro e termina no primeiro domingo de outubro. O nome ficou de outubro por tradição histórica — a primeira edição, em 1810, foi um casamento real que se estendeu até outubro — mas a Alemanha percebeu rápido que setembro tem clima muito melhor pra beber cerveja ao ar livre por duas semanas seguidas.

Começou como casamento, virou identidade nacional

A festa nasceu em 1810 para celebrar o casamento do príncipe herdeiro Ludwig da Baviera com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen. Os moradores de Munique foram convidados para as celebrações num campo às portas da cidade — até hoje chamado de Theresienwiese ("prado da Therese"), ou carinhosamente Wiesn pelos locais. O que era uma festa de casamento única virou tradição anual, e a corrida de cavalos que fechava as celebrações originais deu lugar, com o tempo, às tendas de cerveja que conhecemos hoje.

"Auf geht's, Wiesn!"
"Vamos lá, Wiesn!" — expressão típica de quem está indo pra festa

As tendas não são iguais — e isso importa

Um erro comum de quem vai pela primeira vez: achar que qualquer tenda serve. Existem cerca de 14 grandes tendas de cerveja, cada uma administrada por uma cervejaria diferente de Munique (as seis autorizadas por lei bávara a servir na Oktoberfest: Augustiner, Hacker-Pschorr, Löwenbräu, Paulaner, Spaten e Hofbräu). Cada tenda tem personalidade própria: a Hofbräu-Festzelt é famosa por atrair turistas e ser mais barulhenta; a Augustiner-Festhalle é preferida por muitos moradores locais por servir a cerveja em barril de madeira, não em tanque de metal. Chegar cedo importa — nos fins de semana, as tendas enchem antes do meio-dia e conseguir mesa vira desafio.

A cerveja é mais forte do que parece

A cerveja servida na Oktoberfest, chamada Wiesnbier, tem um teor alcoólico levemente mais alto que a cerveja alemã comum (algo entre 6% e 6,3%, contra a média de 5% de uma Helles cotidiana). Somado ao fato de que ela é servida em caneca de um litro inteiro (a famosa Maß), é fácil subestimar quanto se está bebendo — e é por isso que comida pesada, tipo Hendl (frango assado) e Brezn (pretzel gigante), faz parte do ritual, não é só acompanhamento.

O que os próprios alemães acham disso tudo

Vale um choque de realidade: muitos alemães, principalmente fora da Baviera, veem a Oktoberfest com uma certa distância — pra eles, é uma tradição regional bávara que virou clichê nacional pro resto do mundo, meio como se estrangeiros achassem que todo brasileiro samba o dia inteiro. Isso não diminui a festa (que move a economia de Munique em bilhões de euros todo ano e recebe mais de 6 milhões de visitantes), só ajuda a entender que "cultura alemã" é bem mais regional e variada do que a imagem exportada.

Curiosidade final: existe versão sem álcool e sem multidão

Nos últimos anos, a própria Oktoberfest de Munique passou a ter uma área chamada Oide Wiesn ("a Wiesn antiga"), com preços mais baixos, ambiente mais calmo e foco em tradições históricas — carrosséis antigos, música tradicional bávara, menos turismo de massa. É o lado da festa que quase nunca aparece nas redes sociais, mas que many locais preferem.

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